quarta-feira, maio 10, 2006

Mais do porquê

Cresci ouvindo histórias acontecidas no interior do Maranhão ou da Paraíba. Algumas não foram acontecidas lá, foram contadas lá para meu pai, que as transmitiu pra mim e meus irmãos. E quantas vezes foram contadas! Como eu poderia esquecer?

Sei as histórias que meu avô contava para meu pais e meus tios, que eram contos populares de onde vivia. No entanto, sei poucas histórias da vida de meu avô – porque ele morreu quando eu era pequena ainda. E da vida do meu pai sei pouco – porque ele não gosta de contar o que pode ser mau exemplo. Mas eu pergunto da minha avó, das minhas tias e assim resgato um pouco mais desse passado sem versão própria.
Gosto de sentar com a minha vó e ouvir o que ela me conta. Da última vez que conversamos assim, eu queria saber sobre o casamento dela com meu avô, porque ela já havia me dito que suas irmãs, assim como ela, não queriam casar. E ela fez revelações que, talvez, eu nunca ouvisse de algum tio ou mesmo do meu pai. Afinal, meu avô não viveu pensando em fazer uma história de bom exemplo. Ele traiu, mentiu, fingiu, ignorou, teimou, como também chorou, pediu perdão, sorriu, contou histórias, brincou, trabalhou.

Talvez isso seja algum porquê de querer me contar, de querer me dizer por aí. Já me disseram que eu me defino pelas minhas histórias, mais do que pelas minhas idéias. E eu acho que é verdade: eu me afirmo como eu contando.

Acho que não sou boa para contar histórias escrevendo. Prefiro interpretá-las contando com a minha voz, minha expressão corporal. Escrevê-las me faz bem, apesar disso. E há quem possa ler que não possa escutá-las. Tem gente que me impede de falar. Tem quem odeie me ouvir. Eu sei que conto demais, sou esparramada. Eu sei que muitas vezes ninguém me quer saber, e eu não sou vitima por isso, é normal de todos querer ouvir ou não. Além de quem não suporta me ouvir, vou acabar criando quem não me possa ler.

4 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Pois é Dani...somos nós mesmos os inventores de nossos monstros, nossos terrores, nossos assombros, nossos sonhos, nossas quimeras e tudo o mais...
Só contamos o que desejamos passar adiante; não exatamente tudo o que vimos, vivemos ou sentimos...mas o que achamos ter visto, vivido ou sentido...fragmentos prismados por nossa miopia...
Afinal, o que é real e o que é ilusão?

bjão,
Carioca

Anônimo disse...

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